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Todos uns cornos

Posted by Carlos Rosas on Feb 15, 2008 in Fiction

Encontraram-se em um parque, de noite, era uma noite úmida, mas fria, tentavam evitar dar as mãos um ao outro, tinha muita gente ali e eles poderiam acabar encontrando alguém, até que ela falou que não conseguia fazer aquilo sem segurar nas mãos dele.

Eu quero você, pelo menos uma última vez. Me deixa estar perto de você uma última vez! - Ele pediu com olhar de cachorro, de fome, de alguém que estava ali deixando todo e qualquer orgulho de lado.

Ela meio indignada, meio triste e decepcionada, não com ele, mas por não ter dado certo, sabendo que não adiantava insistir em algo que já havia morrido, respondeu - Eu não posso. Você sabe que não posso. Por que você não vai atrás de uma dessas menininhas pra dar uma trepadinha?

E olhando para os olhos dela, ele disse - Porque eu não quero dar uma trepadinha… Eu quero fazer amor… E só com você eu faço amor!

Ela olhou para ele, suspirando por dentro, com um olhar de quem havia sido completamente desarmada, todas suas defesas foram desfeitas com apenas algumas frases.

Então, respondeu - Ta bom, só dessa vez, não vai te acostumar. Nós não somos mais namorados.

Ele sorriu aquele sorriso que ela achava a coisa mais linda do mundo, puxou ela pela cintura dando aquele abraço que fazia com que ela se derretesse toda, e disse - Ta bom.

Foram para um motel, já que não podiam ir para casa de nenhum dos dois. Fizeram amor como não faziam há muito tempo.

Depois de um tempo, quando estavam abraçados, como sempre fizeram, sem olhar diretamente para ele, ela falou:

- Meus pais não querem mais que eu te veja.

Ele lembrou que sua família pensava a mesma coisa, mas resolveu deixar guardado para ele.

- Eles acham que já deu. Que passamos muitos anos juntos, e você não quer nada do que eu quero… Do que eles gostariam que eu já tivesse. Meu pai acha que eu já deveria estar casada. - Ela completou.

E você, o que acha? - Ele perguntou.

Eu concordo com meus pais. - Respondeu - E acho que é melhor assim, a gente se vê quando der saudade.

Ele pensou alguns segundos que ele ainda se importaria se ela saísse com outro homem, algo que ele achava que ela não deveria fazer nunca mais, mesmo eles não estando mais juntos. Pensou também que ela tinha acabado de lhe dar a liberdade total para sair com quem ele bem entendesse, e quando ele quisesse poderia sair com ela.

Eu concordo com você, acho que é melhor assim mesmo - Ele falou e voltou a ficar calado por alguns segundos e depois completou:

- Seus próximos namorados vão ser todos uns cornos.

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