É difícil conciliar a razão com o coração. Conversa piégas e pebinha, né?
O coração e o tesão te diz pra fazer uma coisa. A razão, essa chata, sem graça, que te faz seguir em frente, evoluir, mudar para melhor, ser maduro e mais experiente, crescer na vida, te diz pra fazer o oposto. A razão é uma chata!
Na cabeça parece que tem uma tempestade, você não consegue se decidir. Uma hora é coração, na outra é razão.
De repente você começa a ver em outras pessoas o que gostaria que a “falecida” tivesse feito, mas nunca fez. Conhece pessoas completamente diferentes e pensa: “Poxa, ela é legal, a falecida nunca foi assim, nunca nem falou essas coisas pra mim”. Você pensa: “Poxa, a banda favorita dela é a mesma banda favorita que a minha… a falecida gostava de pagode, poutz!!!”. É a razão gritando na sua cabeça que tem coisa melhor por ai.
De repente, passeando por um shopping, entrando em uma livraria, você vê ou faz alguma coisa que te lembra a “falecida”. Ai você vai pro buraco, pra um poço, com uma daquelas bolas de aço amarradas na perna. Ai o poço começa a encher de água. Você afunda, se afoga! E lá vem o coração, só que ele não grita, ele sussura no seu ouvido, e é um sussuro que te traz todas as lembranças boas, e tu ficas fudido. O Coração é um babaca!
Dias atrás uma amiga me enviou um texto sobre como com o tempo a gente esquece as coisas ruins e só lembra das boas. Isso é verdade. Eu tento empurrar pro meu coração tudo o que era ruim, tudo que não funcionava, que a “falecida” não ia mudar, e nem você ia se dobrar pra aceitar, e vice-versa, com certeza. Só que o coração não ouve e é fogo. Sussurrando de novo, te faz lembrar do carinho, do sorriso, da gargalhada, do cheiro, dos beijos, do amor transcedental que vocês faziam, de segurar na mão, do abraço, dos mimos, do dengo, das conversas, das fofurices, de tudo. Coração filho da puta!
Seria possível um dia a gente substituir o coração por outro cérebro? Eu posso servir de cobaia?
Acho que não, e nem o oposto: ter dois corações (a não ser que você seja um Time Lord). A brincadeira é aprender a conciliar, e descobrir qual dos dois vai te fazer mais feliz. Qual vai te ajudar a sair do poço.